Se você topar com Marcos Piangers e, por curiosidade, perguntar o que ele faz da vida, esperando ouvir qual é a formação e a atual ocupação dele, você vai se decepcionar. A resposta seria curta, pronunciada calmamente, em tom professoral: “Sou pai da Anita e da Aurora”.

Para Marcos Piangers, a frase resume sua biografia, ainda que no currículo ele carregue outras qualificações. Jornalista de formação, radialista, escritor, palestrante e fenômeno na internet, Piangers é autor do best seller “O Papai é Pop” (Bellas-Letras), que vendeu mais de 100 mil cópias, e reúne quase 2 milhões de seguidores só no Facebook.

Marcos Piangers: Família Pop Rock
Marcos Piangers: Família Pop Rock <3 Crédito: Gisele Sauer

Piangers é um paizão que sabe exatamente o que quer: “Viver cada vez com menos, trabalhar menos, ficar mais perto das minhas filhas”, explicou ele, em entrevista para o Lá Vem Bebê na última sexta-feira. Não é só proselitismo. O dia a dia do escritor (ops, papai) é realmente organizado a partir da agenda das filhas – Anita tem 12 anos e Aurora, 5.

Sim, Piangers trabalha. Mas faz questão de levá-las à escola, dedica tempo para ajudá-las nos estudos, aproveita as tarefas do lar para compartilhar bons momentos e, mais importante, torna proveitoso todo e qualquer tempo livre com as pequenas.

“Nossa cantora favorita é a Billie Holiday. A Anita dizia que a Billie Holiday era a melhor cantora do mundo. Lá em casa, a gente ouve muito Miles Davis, e ‘Kind of Blue’ é o nosso álbum favorito. É o álbum que a gente ouve para cozinhar juntos, fazer bolo, bagunça, lavar louça”, conta Piangers.

O improviso do jazz é quem dita as regras também na criação dos filhos. Piangers não é nem um pouco fã de clichês. “A gente também se apega muito às frases prontas e é um perigo fazer isso com paternidade e maternidade, porque cada criança é específica, é sui generis, é única. Assim como cada pai e cada mãe, cada construção familiar também é única.”

As (nossas) histórias de Piangers

Em “O Papai é Pop”, que já ganhou um segundo título, “O Papai é Pop 2”, Piangers compartilha experiências saborosas sobre a paternidade, desde o início da gravidez, além de outras histórias que contextualizam o tipo de pai que ele se tornou. Sempre com humor e, ao mesmo tempo, delicadeza e profundidade, Piangers fala uma língua universal para todos os papais e todas mamães, traduzindo pequenos acontecimentos rotineiros em momentos mágicos.

Mágica que começa, contou ele para a Lá Vem Bebê, na gravidez. “São aqueles oito meses, desde que você descobre que vai ser pai, em que tudo pode acontecer: você não sabe se vai ser menino, menina, se é loiro, moreno, olho azul, olho escuro, como ele vai nascer, se vai nascer perfeito, se vai nascer com alguma diferença, tudo é encantamento e ansiedade e nada mais na vida tem isso, certo?”, explica ele.

“Hoje em dia, a gente escolhe o sabor da pasta de dente, sabe o hotel que vai ficar ao viajar para o Japão, tudo é tão controlável que torna incrível a gravidez, exatamente por ser imprevisível e por mudar completamente a sua vida, os seus conceitos e os seus valores”, completa Piangers.

E depois que nasce? “É muito mais prático”, diz. (Fiquem tranquilas, mamães, ele está certo.)

Embora sempre sensível, Piangers é muito prático ao desvendar a paternidade (e maternidade). Sem clichês, claro. “Você se torna pai no processo trabalhoso de criar um bebê de dias, de meses. A ficha caiu quando passei a primeira noite em claro com a minha primeira filha, lutando contra cocô, xixi, choro, fome. E é importante que seja trabalhoso e difícil porque você cria vínculos afetivos nestes momentos mais difíceis”, afirma.

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Com a chegada da segunda filha, as aflições foram outras, conta. “Quando a Aurora nasceu foi completamente diferente. As pessoas têm essa frase pronta que amor de pai e de mãe se multiplica, que você ama os filhos em dobro. Acho que é um pouco de romantismo barato isso. O que eu sinto é que a gente divide o nosso amor, a gente divide a nossa atenção, o nosso olhar, o nosso tempo. E foi muito duro para mim entender esse processo, abandonar minha fofura primeira em alguns momentos para cuidar da minha fofura segunda. E entender que cada uma precisava de tempo exclusivo, de atenção exclusiva.”

Em seu livro, Piangers diz que colocar um filho no mundo é um ato de fé. Ele explica: “Você tem que ser muito otimista para imaginar que o mundo pode ser melhor. E mais: pensar que o mundo pode ser melhor com o seu filho ali, que o seu filho pode fazer uma diferença interessante para o mundo através da sua influência”.  

Marcos Piangers e as filhas <3
Marcos Piangers e as filhas <3 Crédito: Gisele Sauer

Piangers acredita piamente nesse ato de fé e é por isso que escolheu falar de paternidade. “É incrível como hoje em dia as pessoas são impactadas pelas conversas que acontecem nas redes sociais, é realmente transformador. Todo dia recebo histórias lindas de pessoas transformadas por conta dessa conversa. Então, quero mais ter uma vida simples, perto da minhas filhas, e de alguma forma contribuir para que outras pessoas tenham vidas felizes.”

Piangers acredita que um pai presente muda tudo e por isso escolheu ser, antes de mais nada, pai em tempo integral – e só nas horas vagas é escritor, jornalista, etc. A Lá Vem Bebê acredita que o mundo muda quando a gente muda o mundo. E a nossa comunidade de pais e mães já está mudando, Piangers. Muito obrigada!

Livro de Marcos Piangers: " O Papai é pop"

 

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Marcos Piangers, o pai da Anita e da Aurora
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